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19/11/2012

Pequenas empresas buscam ajuda para aprender a exportar.



Nem o câmbio, nem o custo Brasil. Além dos efeitos da crise mundial, boa parte das 585 empresas brasileiras que deixaram de exportar entre janeiro e setembro, conforme levantamento da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), foi vítima da falta de preparo e de estrutura para enfrentar a disputa no mercado internacional. Experiências frustradas ou mesmo a dificuldade de cruzar a fronteira brasileira e manter negócios num mercado implacável nas exigências de qualidade e prazos de entrega derrubam, inclusive, o valor de um produto com potencial. Na tentativa de driblar a estatística perversa e que tem persistido desde 2008, instituições como a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e o Instituto Centro Cape, braço do Mãos de Minas, maior central de cooperativas de artesãos de Minas Gerais, ampliam programas de qualificação de micro e pequenas empresas.

A própria AEB discute com parceiros do setor industrial propostas para apoiar esse segmento mais frágil da economia exportadora. Desde 2009, quando criou, com esse objetivo, o Projeto Extensão Industrial Exportadora (Peiex), a Apex-Brasil atendeu 10.500 candidatas a exportadoras de pequeno a médio porte, oferecendo consultoria gratuita de gestão, controles financeiros, processos eficientes de produção e formação de gente qualificada. A instituição tem 32 núcleos operacionais em 12 estados e no Distrito Federal e escolheu Minas Gerais para fortalecer a iniciativa.

Outros três núcleos do Peiex serão abertos entre março e abril de 2013 em Minas, contemplando empresas de Muriaé, na Zona da Mata mineira, São João del-Rei, na Região Central do estado, e Teófilo Otoni, no Vale do Jequitinhonha. Eles vão se juntar aos seis pontos de atendimento em terras mineiras, onde foram beneficiadas 1.900 empresas, em parceria com o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Estudo feito pelo IEL identificou demanda para a formação de 15 núcleos do programa.
Minas tem sido o estado mais beneficiado com a política da Apex-Brasil, segundo o coordenador do Peiex, Tiago Terra. Os recursos destinados ao programa vão chegar a R$ 6 milhões até o fim do ano que vem, com a meta de atendimento de 2.800 empresas, em razão da extensão territorial e da vocação mineira para as exportações. Os planos serão conduzidos a despeito dos efeitos da crise na Europa e nos Estados Unidos, que também explicam a saída de empresas brasileiras do comércio internacional. A estimativa da Apex-Brasil é de que são necessários, pelo menos, dois a três anos de preparação nas pequenas empresas dispostas a exportar.

“Quando a crise terminar, temos de estar prontos para participar do mercado internacional. Não há milagre nisso, e sim um trabalho intenso e que envolve ações de médio e longo prazo”, afirma Tiago Terra. Com os novos rumos da política cambial no Brasil, que aproximou o dólar do patamar considerado ideal pela AEB (R$ 2,30), ficaram evidentes mais obstáculos para as pequenas e médias empresas, que agora ganham importância, de acordo com o presidente da instituição, José Augusto de Castro. “Queremos criar um guarda-chuva em apoio às pequenas e médias empresas, para que elas se sintam encorajadas a correr os riscos do mercado internacional”, diz. Entre esses fatores, além da gestão profissional, ele destaca as necessidade de redução dos custos da produção e da tributação no Brasil, e a proposta de criação de uma espécie de seguro para os pequenos exportadores.
NOVA CULTURA Em Minas, o IEL/Fiemg se surpreendeu com o interesse demonstrado pelas pequenas empresas que estão sendo assistidas para ter condições de exportar. A coordenadora local do Peiex, Patrícia Ribeiro, diz que 700 organizações de um universo que vai alcançar 1 mil empreendimentos até 2013 estão sendo atendidas no segundo ciclo do programa em andamento, num ambiente de maior maturidade e confiança. “O simples fato de as empresas participarem mais de feiras internacionais e missões ao exterior revela esse avanço”, afirma.

Fundada 21 anos atrás, a Rarus Móveis é uma das empresas que se reestruturaram com a firme decisão de implantar uma nova cultura interna, conta o diretor responsável pela gestão da empresa de Belo Horizonte, Elton Alves de Oliveira. A fábrica adotou uma filosofia profissional de trabalho, implantou sistemas de gestão de processos, setorizou a produção e otimizou os processos, com a ajuda de ferramentas de controle. “A mudança e a nova cultura atingiram todas as áreas, com a mentalidade da busca de mellhorias contínuas”, afirma.
Antes mesmo de chegar ao ponto de realizar o sonho de exportar –algo ainda na fase de planos, define Elton Oliveira –, a fábrica, que produz móveis por encomenda com o trabalho de 30 empregados em um galpão ainda alugado, aprendeu a importância da inovação e ganhou condições para competir melhor no seu quintal. Esse é um dos resultados da preparação para as exportações, lembra Tiago Terra, da Apex-Brasil. “O fato de a empresa estar se adequando para o mercado internacional a deixa mais competitiva no mercado interno”, afirma. Cerca de 10% das empresas que recebem a consultoria conseguem atuar no exterior.

Artesanato vive bom momento
O aumento significativo das exportações de artesanato de Minas Gerais, conforme os registros do Instituto Centro Cape, reflete a profissionalização de artesãos e de oficinas. As vendas externas da arte popular feita no estado evoluíram de modestos US$ 10 mil em 2002 para os US$ 4,971 milhões do ano passado e devem alcançar US$ 6 milhões no balanço deste ano. Desde 2007, 161 artesãos, oficinas ou ateliês foram certificados pelo selo Instituto de Qualidade Sustentável (IQS), criado na forma de atestado de qualidade de todo o processo de trabalho.


Controles e conceitos essenciais no mundo empresarial, como a formação de preços e uma linha organizada de produção, passaram a fazer parte de um dia a dia que os artesãos desconheciam e permitiu que eles dessem continuidade aos pedidos, condição essencial para os importadores, lembra Tânia Machado, presidente do Instituto Centro Cape e da Associação Brasileira de Exportação de Artesanato (Abexa). “O artesão que exporta não só aprende a vender melhor o seu produto, mas compra de forma mais eficiente a sua matéria-prima e passa a ter cuidados em todo o processo de produção, da qualidade à embalagem”, afirma. Cerca de 300 artesãos filiados ao Mãos de Minas já se submeteram à consultoria e ao treinamento.

EM SÉRIE Em Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o artesão Thiago Silva deu novo rumo à produção de carteiras, chaveiros, vasos decorativos e outras peças exclusivas feitas em tecido, juta e material reciclado, depois de adotar o sistema da fabricação seriada. “Hoje, eu sei o meu custo de produção detalhado e o tempo gasto em cada peça, o que me proporcionou um cronograma de produção”, afirma. Mais seguro, ele colheu no ano passado os primeiros frutos da exportação, ao ser selecionado pela rede espanhola El Corte Ingléz, que fez compras no Brasil.

Thiago Silva vendeu 4 mil peças para o magazine e agora negocia a venda de produtos para a gigante americana TJMaxx. Para reforçar o trabalho de apoio aos artesãos exportadores, a Abexa vai levar os autores às feiras internacionais – são nove eventos por ano – para que eles aprendam na prática como negociar, conheçam a produção dos concorrentes e saibam da importância de estar preparados para dar continuidade aos eventuais pedidos dos importadores. Cerca de 70% das exportações dos artesãos de Minas são destinadas aos Estados Unidos, seguidos da Itália, França, Espanha e Portugal. Neste ano, até o primeiro semestre, os presépios em palha lideraram o ranking dos trabalhos mais vendidos na Europa, com base em levantamento do Instituto Centro Cape. Peças em pedra-sabão, cabaça, papel machê e ferro completaram a relação dos itens mais valorizados no exterior. (MV)


Fonte: Estado de Minas

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13/11/2012

Sinal Verde para os Negócios em 2013.


O Comércio Internacional viveu momento de muita tensão nos últimos 4 anos. As principais economias mundiais estavam em um ritmo menos acelerado e rodeadas de incertezas.
Mas, nesta entrevista, o Dr. José Manuel Meireles de Souza faz uma análise otimista para os negócios em 2013, com a retomada de mercados tradicionais, além da consolidação de novas áreas de abrangência, na Ásia, nos países Árabes e na África.


O Dr º José Manuel Meireles de Sousa  tem mais de 30 anos de experiência em comércio internacional, como Trader de empresas na Europa e no Brasil. Atualmente é o coordenador do curso de Comércio Internacional na Universidade Anhembi Morumbi e também professor e coordenar do Curso de Formação de Internacional Trader da ABRACOMEX .




ABRACOMEX: Quais as perspectivas para o comércio exterior brasileiro em 2013?
Dr º José Manuel Meireles : A economia global deve recuperar lentamente em 2013; a China deverá manter o ritmo de crescimento abaixo de 8% e a Europa, especialmente os países do sul, deverão continuar com elevado desemprego e baixo desenvolvimento. Também a Argentina não deve frear o crescimento que não deve ultrapassar os 2%. O comércio exterior brasileiro é muito dependente da China (em commodities) da Argentina e da Europa e como tal deve ressentir-se da falta de crescimento nesses países; por outro lado as políticas comerciais estão muito voltadas para o consumo e não à agregação de valor, o que fará perdurar a tendência de exportação de produtos básicos e uma cada vez menor participação de manufaturados na matriz exportadora. As commodities alimentares continuarão em alta compensando o fraco desempenho dos manufaturados.
ABRACOMEX : Qual é o papel do profissional de International Trader neste cenário?
Dr º José Manuel Meireles : As exportações brasileiras de alguma forma estagnaram, não diminuindo em grande parte devido às cotações das commodities, pois os manufaturados que em 2001 representavam cerca de 56% na matriz exportadora brasileira, passaram a representar cerca de 34% em 2011. Esta situação é em parte consequência do aumento de consumo interno que, no entanto está sendo corroído pelas importações de produtos do extremo oriente, em grande parte chinesa. Ora as grandes maiorias dos produtos brasileiros apresentam qualidade superior aos produtos chineses e não deveriam concorrer-nos mesmos mercados. O International Trader tem como grande missão encontrar mercados que apreciem a qualidade  dos produtos brasileiros e não somente o preço. Como exemplo, o valor médio de exportação de sapatos brasileiros, segundo a revista World Footwear Yearbook 2012, em 2011 foi de US$ 11,47, contra US$ 32,00 do calçado português ou US$ 3,87 do calçado chinês; deverá ser neste ponto que o International Trader deve atuar, não concorrer com o calçado de US$ 3,87, mas procurar mercados que paguem mais pelos produtos brasileiros. Para isso é preciso técnica e encarar o mercado internacional não como uma oportunidade pontual da empresa, mas como uma estratégia de crescimento empresarial.


ABRACOMEX : Como o Sr. avalia a preparação das empresas brasileiras, para enfrentar a concorrência do produtos importados, principalmente a China?
Dr º José Manuel Meireles : Asa empresas brasileiras, agora voltadas para o mercado brasileiro, não estão preparadas para enfrentar a concorrência chinesa, sobretudo porque não existe um balanceamento entre a boa qualidade dos produtos brasileiros e os mercados para onde esses produtos são comercializados; se a maioria das indústrias produz com qualidade internacional, a parte comercial das empresas não está à altura do esforço de produção; torna-se necessário entender que o produto brasileiro só concorre com o chinês porque as empresas brasileiras insistem em vender-nos mesmos mercados onde empresas chinesas comercializam os produtos e quando encontram mercados exteriores exportam em vez de se internacionalizarem. A cultura de internacionalização fará com que as empresas ultrapassem a concorrência chinesa, pelo menos enquanto as indústrias chinesas não aumentarem a qualidade de seus produtos.


ABRACOMEX : Dentre as suas diversas negociações internacionais qual o caso mais curioso já vivenciou ligado a diferença cultural?
Dr º José Manuel Meireles : Diferenças culturais existem em todas as negociações inclusive no Brasil. Curiosamente considero o Norte do Brasil culturalmente mais distante da região Sul do Brasil, que a Europa ou os Estados Unidos. Mas negociar é sempre um desafio que também é ganho pela adaptação cultural. As negociações que durante vários anos tive com empresas estatais norte coreano foram eventualmente as mais interessantes, pois sendo a Coréia do Norte um país isolado do mundo e com comunicações muito difíceis a concretização de negócios e, sobretudo o fechamento é complicado, pois quer a burocracia, quer o aspecto legal tornam a negociação complexa, mas também altamente motivadora.  
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07/11/2012

China Torna-se o Maior Parceiro Comercial do Brasil


Gigante asiático já deixou os Estados Unidos para trás em 2012
Pela primeira vez na história, a China deve desbancar os Estados Unidos e se firmar como principal fornecedor do Brasil em 2012.
De acordo com a secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Tatiana Prazeres, ao longo do ano, o país asiático, que é o maior comprador dos nossos produtos há três anos, vem revelando-se como a maior vendedora de produtos e, a apenas dois meses para o final de 2012, essa posição agora já está consolidada. “Houve redução das importações dos Estados Unidos combinada com aumento das importações da China”, explicou Tatiana.
De acordo com a secretária, chamou a atenção a diminuição das compras brasileiras dos Estados Unidos de hulha, um carvão que se usa no forno industrial. Também foi menor a compra de algodão “Já da China, importamos bens de capital e componentes de produtos”, exemplificou.
Álém desses dados, a China vem também ampliando os investimentos por aqui. A fabricante de carros China Zhejiang Geely Holding Group Co. está avaliando países para impulsionar as vendas, incluindo o Brasil. O País, ao lado da Índia, estão no foco da montadora asiática.
Fonte: D24am.com
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05/11/2012

Comércio exterior pode ter segundo melhor ano em 2012.


Apesar das dificuldades, 2012 será o segundo melhor ano do comércio exterior do Brasil, perdendo para 2011, segundo a secretária de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Tatiana Prazeres. As exportações de manufaturados impedirão uma queda maior nas vendas externas, segundo a secretária.
“O saldo positivo na balança no final do ano será maior que o esperado por muitos”, disse a secretária. O comércio exterior brasileiro está sendo afetado pela crise internacional, que diminuiu a demanda por parte de alguns países, e também pela queda de preços de alguns produtos que o Brasil exporta, como o minério de ferro.

“Em 2011, não sentimos os efeitos do cenário externo, que já estava preocupante. Em 2012, a retração de mercados e queda de preços afeta nosso comércio exterior”, disse a secretária, para quem a mensagem não é negativa.

Países árabes

Durante evento realizado  pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, a secretária destacou a importância da região para o comércio exterior brasileiro. “O mercado árabe é estratégico. É importante para o Brasil diversificar seus parceiros comerciais, sua na pauta exportadora”, disse.

Nos últimos 10 anos as exportações do Brasil para a região cresceram cerca de 4 vezes, o mesmo ocorreu com as importações. A corrente de comércio atingiu seu recorde em 2011, 25 bilhões de dólares. Açúcar e carne correspondem a cerca de 50% do que o Brasil exporta para a região. 85% do que o Brasil importa da região são combustíveis e lubrificantes. “Há um potencial muito grande a ser explorado”, disse.

A crise internacional faz o Brasil viver um período de baixa demanda por parte de países tradicionais como os da União Europeia, a vizinha Argentina e também a China, segundo a secretária. Na ponta contrária, as importações vindas da China aumentam, e o país pode passar os Estados Unidos como maior vendedor para o país.

De janeiro a setembro, as exportações brasileiras para o mundo caíram 4,9% - a queda em relação aos países árabes foi menor, segundo a secretária, que destacou a importância de o Brasil manter sua presença na região. Para as empresas, a dificuldade está na regularidade do processo exportador, segundo a secretária.
Fonte:  Exame
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